
A ler, Pedro Levi Bismarck, em Punkto:
(...) A Praça do Moinho de Vento no centro do Porto é uma espécie de «laboratório», não de experimentação ou de investigação de práticas urbanas e de concretização de espaço público, mas de inoperância, de ineficácia e de incapacidade de pensar o espaço urbano como algo mais do que uma simples matriz programática. Esta pequena praça no centro do Porto é exemplo não apenas da incúria e do desinteresse na manutenção do espaço público da cidade, mas também, da incapacidade tanto dos poderes públicos como dos próprios agentes criativos, em pensar o espaço urbano de um modo muito mais dinâmico. Este não se faz apenas de passeios, pavimentos, rua, depósitos de lixo, às vezes um banco ou umas árvores; mas sim pela qualidade das relações urbanas que provoca e permite, pela qualidade de atracção e pela qualidade de «segurar» e albergar uma vivência urbana variada. O espaço público não é apenas de qualidade pelo «preço» dos materiais ou pelo seu refinamento estético, ele pode ser tudo isso, mas é-o, sobretudo, pela capacidade que tem de ligar e «segurar» as pessoas, de as captar e de as relacionar com a cidade que habitam. Não é apenas uma questão de imagem urbana, é uma questão de quotidiano, de serviço público, de qualidade de vida, cuja desvalorização, apesar de todos os discursos de reabilitação, se acentua todos os dias nas nossas cidades. Não há processo de reabilitação possível, não há cidade possível, sem espaços para o público, espaços para estar, para demorar. Espaços com programas diversos que potenciem a diversidade comunicativa e participativa da cidade na sociedade. (...)
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