17.12.10

As cidades também se abatem

José Machado de Castro em A Baixa do Porto:

Em 2011, daqui a poucos meses, o Porto vai ter a população que tinha no início do século XX, à volta de 200.000 habitantes. Este regresso ao passado na demografia é apenas uma das faces do declínio a que a política do PSD e CDS/PP condenou a cidade do Porto. Em 2002, quando Rui Rio tomou posse, o Porto tinha 263.131 habitantes, em 2005 já só eram 233.465 os habitantes e em 2008 ficava-se pelas 216.080 pessoas (97.568 homens e 118.512 mulheres). Em 2009 a população do Porto desceu para 210.558 habitantes, em 2010 será abaixo das 205.000 pessoas e em 2011 não chegará aos 200.000 habitantes.

É certo que entre 1991 e 2001 já tinha ocorrido um decréscimo de quase 37.000 moradores. Só que a gestão de Rui Rio praticamente duplicou as saídas de população. Numa década, entre 2001 e 201l, mais de 60.000 pessoas partiram (ou melhor, foram forçadas a partir) da cidade do Porto.

Sabe-se quem sai, são os jovens casais, donde saem, principalmente do centro da cidade, e sabe-se porque saem, não têm alojamento acessível. O Porto será das poucas cidades da Europa em que a oferta de habitação está completamente nas mãos de promotores imobiliários, que em regime de autêntico monopólio decidem os preços que querem, inacessíveis aos jovens.


Continue a ler aqui.

15.12.10

Pobre Porto



A estátua que representa o Porto, vista através dos vidros eternamente sujos do posto de turismo da Câmara Municipal, no Terreiro da Sé.

"Todo sobre viajes en Portugal"

O blogue Todo sobre viajes en Portugal publicou uma simpática abordagem ao Cidade Deprimente, onde pode ler-se:

En este blog se habla de Portugal y ni bien ni mal, sólo la verdad.
La imagen de arriba refleja el otro Oporto, el cutre, el penoso y lamentable. Hay todo un blog dedicado a recoger lo peor de la ciudad en imágenes que valen más que miles de textos.
El autor del blog puede ser incómodo para los autarcas de la Cámara Municipal pero deberían agradecerle lo que hace, porque muestra todo aquello que no está a la altura de una ciudad que presume de haber sido capital europea de la cultura. Por supuesto que la ciudad tiene lugares maravillosos y llenos de encanto, pero también hay horrores urbanos que resolver y evitar.


Como é óbvio, Francisco Miranda, não espero me agradeçam, muito menos a entidade citada, mas que é gratificante ler a sua opinião, lá isso é. O meu obrigado.

16.10.10

A arcada da Feitoria Inglesa ...

... o primeiro edifício neoclássico construído no Porto, em 1790, decorada por uma instalação contemporânea, que se pretende efémera, composta por quatro contentores de "resíduos sólidos urbanos", eufemismo que designa o lixo.

4.10.10

O lixo no Largo do Moinho de Vento



A ler, Pedro Levi Bismarck, em Punkto:

(...) A Praça do Moinho de Vento no centro do Porto é uma espécie de «laboratório», não de experimentação ou de investigação de práticas urbanas e de concretização de espaço público, mas de inoperância, de ineficácia e de incapacidade de pensar o espaço urbano como algo mais do que uma simples matriz programática. Esta pequena praça no centro do Porto é exemplo não apenas da incúria e do desinteresse na manutenção do espaço público da cidade, mas também, da incapacidade tanto dos poderes públicos como dos próprios agentes criativos, em pensar o espaço urbano de um modo muito mais dinâmico. Este não se faz apenas de passeios, pavimentos, rua, depósitos de lixo, às vezes um banco ou umas árvores; mas sim pela qualidade das relações urbanas que provoca e permite, pela qualidade de atracção e pela qualidade de «segurar» e albergar uma vivência urbana variada. O espaço público não é apenas de qualidade pelo «preço» dos materiais ou pelo seu refinamento estético, ele pode ser tudo isso, mas é-o, sobretudo, pela capacidade que tem de ligar e «segurar» as pessoas, de as captar e de as relacionar com a cidade que habitam. Não é apenas uma questão de imagem urbana, é uma questão de quotidiano, de serviço público, de qualidade de vida, cuja desvalorização, apesar de todos os discursos de reabilitação, se acentua todos os dias nas nossas cidades. Não há processo de reabilitação possível, não há cidade possível, sem espaços para o público, espaços para estar, para demorar. Espaços com programas diversos que potenciem a diversidade comunicativa e participativa da cidade na sociedade. (...)

21.9.10

Os trambolhos

São inestéticos e fora de escala. Têm uma espécie de antena, um tubo ferrugento e mal pintado por onde entra um cabo eléctrico, provavelmente para comunicarem com o além. Despontaram como cogumelos, um pouco por todo o lado. São inimagináveis noutros centros históricos classificados, ou não, pela UNESCO, mas no Porto tudo é possível. São redundantes, porque o que se propõem vender - gelados - está à mão de semear por toda a cidade, em cafés, bares e até nos locais onde se vendem jornais.



Para que servirão, então, estes empecilhos, para além de dificultarem a circulação das pessoas e de poluírem a paisagem urbana? Servem - como as bandeirolas e aqueles apelos inconsequentes que nos dizem “ O Porto chama por ti” - para dar um falso ar de animação à urbe, de cortina de fumo que esconda a apatia camarária, apenas alterada pelos caprichos pessoais do seu presidente, chamem-se eles construção no parque da cidade, túnel de Ceuta, metro na Avenida da Boavista, corridas de automóveis, projecto imobiliário do Aleixo ou obstrução à construção do Centro Materno Infantil do Norte.
São ainda uma prova do desinteresse, do desamor que o actual executivo camarário nutre por esta cidade milenar, cidade que merece muito melhor do que estas e outras excrescências que estarão por vir.

10.9.10

O encontro da Rua dos Pelames...

... com a Rua Escura, a Rua da Bainharia e a Rua do Souto, local intenso do tráfico de droga no bairro da Sé.

9.8.10

De fonte limpa



A fonte da Praça da Batalha tem agora um novo acessório, uma rampa de skate construída em betão, que lhe confere uma utilidade que o projectista jamais terá imaginado. Garantiram-me, de fonte limpa, que a rampa resulta de uma parceria criativa entre a rapaziada que por ali anda de skate e as gentes, de boa vontade, da obra que decorre no local do antigo Cinema Águia d'Ouro.

28.7.10

E se o Porto fosse um motor de explosão?



Cada instituição tem a imagem que cultiva. Esta representa a Câmara Municipal do Porto na Praça de Gonçalves Zarco, ao Castelo do Queijo. Nada de criticável, digamos antes que a fotografia está condizente com a realidade depressiva do Porto. Ou acima dessa realidade, uma vez que aqueles farrapos sujos, no alto de uns mastros, com as insígnias da antiga, mui nobre, invicta e sempre leal cidade do Porto, não descem tão baixo como por vezes faz o sítio institucional da CMP, pago com o dinheiro dos contribuintes que deveria servir.
Veja-se como a câmara reagiu às crónicas de Amílcar Correia, jornalista, e de João Teixeira Lopes, sociólogo, saídas no Público, não suportando a crítica, diminuindo a importância social do jornal e assumindo-se como órgão de propaganda das decisões trôpegas que o executivo municipal tem aplicado à cidade.
O Porto está mais pobre, mais vazio, mais sujo, decadente, apático e desorganizado. Basta comparar com os concelhos vizinhos. As iniciativas contrárias a este estado de coisas têm vindo, felizmente, da sociedade dita civil.
É uma pena que a cidade não seja um motor de explosão... certamente estaria um brinquinho.

2.7.10

Desafio

Imagine que, em Dezembro, montou em casa um presépio e uma árvore de Natal. Imagine ainda que, passadas as festas, mantém a árvore e o presépio montados até Fevereiro ou Março.
Como se classificaria do ponto de vista da gestão das tarefas da sua vida pessoal? Laxista, permissivo, incapaz, incompetente, inadequado para a vida familiar?
Passemos agora a outra situação, do domínio do surreal.



A feira do livro decorreu entre 1 de 20 de Junho. Depois sucederam os festejos de S. João. Hoje, 2 de Julho às 12h03, doze dias depois da feira ter encerrado, a Praça da Liberdade apresentava o aspecto que as imagens documentam, com o que resta dos contentores de livros espalhado pela placa central à mistura com gradeamentos metálicos, automóveis estacionados e, para nosso alívio - ligeiro mas constituiu um alívio - um mamarracho, daqueles em que a empresa municipal Porto Lazer é perita, reivindicando a paternidade de toda aquela desgraça - não fosse alguém pensar que o espaço público no Porto está a cargo da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.



Voltando atrás, à questão hipotética do presépio e da árvore de Natal, aplique agora, a esta atitude da Câmara Municipal do Porto - é aqui que está o desafio - os adjectivos que achar adequados.

27.6.10

Beba Sagres



A Super Bock, ou a fábrica que a produz, inundou o Porto e Gaia com este tipo de publicidade por ocasião das festas de São João. Provavelmente acha que os cidadãos são estúpidos, que só lhe consomem a bebida se forem bombardeados com publicidade massiva, poluidora da paisagem urbana, até que os olhos lhes doam. Para completar o desatino a campanha é apadrinhada pela Câmara Municipal do Porto, a quem compete zelar pelo património urbano - o que, como é notório, não faz - e pela empresa municipal Porto Lazer, a cujas aberrações estamos habituados. Pela minha parte não consumo produtos que são promovidos de uma forma primária e irresponsável e não me respeitam enquanto cidadão. Bebam Sagres e tenham bom proveito!

14.6.10

A Igreja de Campanhã ...

... vista de nordeste, ou a ilustração do empenho da sociedade anónima Estradas de Portugal na destruição da paisagem urbana do Porto.

4.5.10

As traseiras da Rua do Almada ...

... e da Praça Filipa de Lencastre...





... vistas dos Picaria Flats, um edifício reabilitado, na rua da Picaria.

8.4.10

Horrores urbanos à moda do Porto

II - Rua de Dom Manuel II



Situemo-nos: à esquerda está o edifício neoclássico, carregado de história, que acolhe o Museu Nacional de Soares dos Reis.

Discriminemos agora os horrores deste local, que são cinco: um de iniciativa privada, o primeiro, e quatro de iniciativa pública, isto é, promovidos pela entidade a quem pagamos milhões para cuidar do espaço urbano e zelar pela segurança dos cidadãos (entre muitas outras atribuições que não cumpre): o Estado.

1º e mais antigo horror – o caixote metálico construído diante do museu, no local onde outrora existiu um horto.
2º horror – o edifício do Hospital Geral de Santo António, cujo projecto estaria bem num subúrbio arruinado mas nunca na baixa do Porto, convivendo tanto com o museu como com outro edifício neoclássico e monumental que alberga o mesmo hospital.
3º horror (uma pérola) – a saída do túnel de Ceuta construída à porta do museu.
4º horror – a eliminação do passeio diante do museu que, na prática, criou um local de estacionamento automóvel.
5º e perigoso horror: na ausência do passeio os peões são obrigados a circular na faixa de rodagem em rota de colisão com as viaturas que saem do túnel.

Um conjunto de iniciativas brilhante, não é?

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