19.4.06

Na Avenida da Ponte



Muitos de nós não saberão que aqui já houve cidade. Antes desta ruína o casario da Sé estava cosido ao das ruas Chã, do Loureiro e do Cativo.



A separação ocorreu, durante os anos quarenta, com a demolição do morro que ligava o alto da Sé a esses lugares.



A intenção foi a de abrir uma avenida que facilitasse a circulação automóvel entre a Ponte Luís I e a Praça de Almeida Garrett.





Ao longo de seis décadas sucederam-se os projectos de urbanização do local mas o que sobrou para o presente não passa de uma pedreira.









Por ironia ou não, o Metro do Porto optou, recentemente, por ligar a ponte à praça através de um túnel, como que a corroborar a inutilidade da decisão de antanho.





Como não há passes de magia que reponham o casario demolido, sobra a requalificação do local, anunciada esta semana.
Desenganem-se, porém, se pensam que a pedreira vai desaparecer. A requalificação, paga pelo Metro do Porto, será horizontal, quer dizer dos pavimentos e da iluminação. A pedreira e o casario arruinado continuarão por lá a assombrar a memória da cidade.

17 comentários:

  1. afinal.....tão longe tão perto fica a ternura????



    beijo....pavimentado com toda a m ternura. a de sempre.

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  2. Rua Cimo de Vila, Rua Chã, lugares muito ligados à minha infância pois meu pai tinha lá uma loja e um escritório. Lembro-me ainda quando a Avenida da Ponte foi aberta e já nessa altura tive pena de ter desaparecido a Rua Chã, estreitinha, onde uma vez vi uma pobrezinha apanhar do chão e comer um dióspiro, fruto que ainda hoje não consigo comer...Memórias...
    th

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  3. Quando vim morar para cá, já lá vão quase 5o anos, já se falava nessa monstruosidade arquitectónica conhecida por Avenida da Ponte.
    De facto, sempre houve projectos, mas a nódoa nunca foi limpa. Logo ali, no centro histórico do Porto.
    Ele há coisas que parecem mesmo embruxadas!

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  4. tens um recado na tua outra cidade.

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  5. Muito interessante, esta 'história' assim exposta.

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  6. O morro que foi demolido para dar lugar à Av. da Ponte era chamado Cividade e terá sido o local exacto do primitivo castro que deu origem ao Porto.

    Só mais tarde é que o burgo se estendeu à Pena Ventosa (o morro da Sé), dando origem ao chamado Castrum Novum Suevorum.

    O sítio onde o Porto nasceu já não existe!

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  7. Gostei tb muito desta outra face!

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  8. Já em miúdo ouvia dizer que a Avenida da Ponte nunca tinha sido acabada...

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  9. ... se nunca deixo por aqui um qualquer comentário, não é por nada!
    ...é que não tenho palavras para definir a degradação!

    ...parabéns!

    ... estás nos meus "gostos imperdíveis"


    xi-coração

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  10. Pena que o projecto de Siza Vieira continue na gaveta. Cresci a ver aqueles calhaus que, de tão teimosos (os [maus] políticos), por ali se eternizam.

    Parabéns Carlos por mais uma boa aula

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  11. É o que eu digo...

    Acho que vai ser obrigatório passar pelos seus blogs, mesmo conhecendo es partes fragéis do Porto, é impossivel não gostar da forma como descreve isso.

    Bjinho ((*_*))

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  12. Comecei por ler o seu "a cidade surprendente". Amo esta cidade, com tudo o que tem de mau. E neste seu blog, onde nos mostra a face mais cinzenta desta nossa cidade, o que me vem á cabeça é que realmente, mesmo depois de ver estas imagens, mesmo depois de ler estas histórias de maus tratos á nossa cidade, mesmo assim... eu amo o Porto. Se calhar gosto tanto da cidade por ser assim, crua. De cicatrizes á mostra.

    (obrigado por, a pouco e pouco, me ir mostrando os recantos esquecidos.:)

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  13. Anónimo15.5.06

    Teria sido deste morro então intacto que a povoação se estendeu até ao rio, nos primórdios do que milhares de anos depois viria a ser esta cidade. Penso que lá se encontraram vestígios datados da pré-história, aquando das obras que o esventraram.

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  14. Dar a outra face. Ainda bem que o fazes.

    Já descobri aqui objectos que fui vendo e fotografando.

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