Como sempre gostei muito de reviver mais uma rua do Porto através destas fotos. Curiosamente, a última vez que fui ao Porto, por motivos de trabalho, fiz este bocado da rua a pé e se por um lado me pareceu evidente a degradação, por outro lado até degradados os edifícios do Porto são inconfundíveis. Degradados, mas ainda imponentes de uma certa forma.
Não deixa de ser sintomático que, entre as ruínas que aqui se vêem, estão os vestígios de um pequeno teatro (no edifício que foi da Mocidade Portuguesa salazarista), a testemunhar um tempo em que no Porto floresceram as companhias de teatro independentes. Agora, até o Teatro Experimental do Porto foi para Gaia! O Porto está mesmo mal!
Com uma viragem de 180 graus, ainda podia ser que eu aparecesse, mas creio que não estou em ruínas, como essa vergonha para onde olho todos os dias (e que deve ser vista com voracidade pelos promotores imobiliários).
"pequeno teatro (no edifício que foi da Mocidade Portuguesa salazarista)"?... Estou a falar de cor, mas posso dizer que o edifício em causa foi feito de raiz como teatro, tendo sido a casa da célebre trupe d'Os Modestos, talvez o mais importante grupo de tetro amador que o Porto do século XX teve. Suponho que é, actualmente, pertença da freguesia de Santo Ildefonso.
Tem carradas de razão, caro POS, mas só no que respeita ao facto de naquele edifício ter funcionado durante muitos anos o Grupo de Teatro "Os Modestos". A sede da MP ficava um pouco mais abaixo e desapareceu há muito. Como fui esquecer-me dos "Modestos"?! Imperdoável, este meu lapso.
Quanto a dizer que o edifício foi teatro de raíz, tal não parece ser verdade. Pelo menos, o seu aspecto exterior não parece ser o de um teatro. Fiz uma pequena pesquisa e verifiquei que, segundo Germano Silva, ele foi sede de uma tal "Associação das Classes Laboriosas" antes de alojar os "Modestos": http://jn.sapo.pt/2006/01/03/grande_porto/historias.html
O teatro é, efectivamente, de raiz (nunca aquela casa foi habitação, por exemplo), se bem que as utilidades fossem além do espectáculo cénico (havia os bailes, havia propósitos de beneficência...). Nunca lá entrei, mas já tive as plantas na mão, porque uma amiga fez uma investigação sobre os Modestos. Sei que actuaram lá outros grupos, antes dos Modestos, cuja "casa" anterior era um teatro cujo nome agora me falha, ali junto à Rua de José Falcão, demolido, salvo erro, para que fosse aberta a Rua de Ceuta. Quando estiver com o Germano, pergunto-lhe, mas creio não estar muito enganado.
Peço perdão pelo s que acrescentei a "Denudado"... Saiu uma mistura de denudado com desnudo. Deve ser deste calor, que torna a roupa demasiado pesada...
Parabéns pelo blog, apenas o conheço agora. Partilho contigo esta dor de diariamente assistir a crimes arquitectónicos e paisagísticos. De um modo geral, atentados à moral, ao bom senso e à estética na nossa cidade, cujo potêncial arquitectonico é imenso. O aproveitamento dos edíficios do porto poderia trazer benefícios incalculáveis à cidade, mas parece que isso salta aos olhos de poucos. O que parece tão obvio... Pode ser que isto mude agora com o novo Regime de Arrendamento Urbano. É possível que mude. Fazes aqui um importante trabalho. Farei um link para o teu blog.
Há uma beleza inusitada nestas ruinas. Importa-se de criar fotografias com menos arte? é que ao visualizar as presentes ficamos a admirar esteticamente esta decadência..:)
Olá!! Pertenço a um grupo de artistas plásticos S.O.P.A. (http:\\sopa-sinergia.blogspot.com). E como estamos a precisar de uma sede, venho contactar-lhe a perguntar se sabe se acha que se pode alugar ou fazer alguma coisa com o edifício nomeadamente restaurá-lo. Obrigado
traspare una forza, e una voce, da queste fotografie. Un'anima. Il passato che interrompe il presente. Mi piacciono molto le foto che colgono solo i particolari. I particolari raccontano tutto. saluti F
oi entrei neste blog ontem (por mero acaso) e (por mera coincidência) vim aqui parar hoje. prendi-me nas iomagens e pouco li porque como dizem uma imagem pode valer por mil palavras. é triste ver o porto, a cidade mais bela que conheci até hoje, degradar-se desta forma. mas não consigo deixar de achar encatador e por mais "velho" e "estragados" que estejam estes pedaços de ruínas não deixam de ter o seu encanto. porque também tu o vês e, por isso, quando fotografas pode até ser o degredo que procuras mas é beleza que encontras. faz sentido?
Com saudades do meu Porto encontrei este blog e é com os olhos cheios de lágrimas que vos agradeço em nome do meu bisavô Soares Correia (fundador d' Os Modestos) a memória desse teatro. A minha avó ficaria orgulhosa de saber que os portuenses ainda têm memória.
Caro Redordead: li agora este post e os comentários e reparei no seu. Não sei se continua a ter acesso a este, mas não pude deixar de lhe dizer que o meu pai fez teatro neste grupo. Cumprimentos.
Das Ruas da minha terra: edifício da Associação Portuense de Socorros Mútuos das Classes Laboriosas, instituída e instalada no dia 25 de Março de 1856 e confirmada por alvará régio de 10 de Março de 1857. Neste prédio foi fundado o Grupo dos Modestos (Escola de formação de muitos actores de teatro portuenses) em 25 de Setembro de 1902
Obrigado pela descrição da Instituição a que pertence o Grupo dos Modestos. Andava intrigado com esta definição, encontrando agora o sentido das iniciais gravadas no ferro forjado da bandeira da porta do edificio. Ao centro tem um escudo com a data no cimo e centrada 1856. Em letras maiores e ao centro pode ver-se um C e um L (Classes Laboriosas). Em baixo, centradas as letras ASM ( Associação Socorros Mutuos). Seguramente que é uma dor de alma ver estes edificios em tamanha ruína, mas resta-nos a consolação de contribuir para que não morram na totalidade, pois sempre que os mencionamos, estamos a recuperá-los. Antonio
Como sempre gostei muito de reviver mais uma rua do Porto através destas fotos.
ResponderEliminarCuriosamente, a última vez que fui ao Porto, por motivos de trabalho, fiz este bocado da rua a pé e se por um lado me pareceu evidente a degradação, por outro lado até degradados os edifícios do Porto são inconfundíveis. Degradados, mas ainda imponentes de uma certa forma.
Verdadeiro serviço público, este outro lado da cidade surpreendente.
ResponderEliminarComo o outro, de resto.
Esta face, como um mendigo velho, não deixa de ter personalidade...aliàs, novo ou velho, o "velho" burgo é sempre de espantar de belo!
ResponderEliminarAbraço, th
Não deixa de ser sintomático que, entre as ruínas que aqui se vêem, estão os vestígios de um pequeno teatro (no edifício que foi da Mocidade Portuguesa salazarista), a testemunhar um tempo em que no Porto floresceram as companhias de teatro independentes. Agora, até o Teatro Experimental do Porto foi para Gaia! O Porto está mesmo mal!
ResponderEliminarCom uma viragem de 180 graus, ainda podia ser que eu aparecesse, mas creio que não estou em ruínas, como essa vergonha para onde olho todos os dias (e que deve ser vista com voracidade pelos promotores imobiliários).
ResponderEliminar"pequeno teatro (no edifício que foi da Mocidade Portuguesa salazarista)"?... Estou a falar de cor, mas posso dizer que o edifício em causa foi feito de raiz como teatro, tendo sido a casa da célebre trupe d'Os Modestos, talvez o mais importante grupo de tetro amador que o Porto do século XX teve. Suponho que é, actualmente, pertença da freguesia de Santo Ildefonso.
Tem carradas de razão, caro POS, mas só no que respeita ao facto de naquele edifício ter funcionado durante muitos anos o Grupo de Teatro "Os Modestos". A sede da MP ficava um pouco mais abaixo e desapareceu há muito. Como fui esquecer-me dos "Modestos"?! Imperdoável, este meu lapso.
ResponderEliminarQuanto a dizer que o edifício foi teatro de raíz, tal não parece ser verdade. Pelo menos, o seu aspecto exterior não parece ser o de um teatro. Fiz uma pequena pesquisa e verifiquei que, segundo Germano Silva, ele foi sede de uma tal "Associação das Classes Laboriosas" antes de alojar os "Modestos":
http://jn.sapo.pt/2006/01/03/grande_porto/historias.html
Caro Desnudado,
ResponderEliminarO teatro é, efectivamente, de raiz (nunca aquela casa foi habitação, por exemplo), se bem que as utilidades fossem além do espectáculo cénico (havia os bailes, havia propósitos de beneficência...). Nunca lá entrei, mas já tive as plantas na mão, porque uma amiga fez uma investigação sobre os Modestos. Sei que actuaram lá outros grupos, antes dos Modestos, cuja "casa" anterior era um teatro cujo nome agora me falha, ali junto à Rua de José Falcão, demolido, salvo erro, para que fosse aberta a Rua de Ceuta. Quando estiver com o Germano, pergunto-lhe, mas creio não estar muito enganado.
Peço perdão pelo s que acrescentei a "Denudado"... Saiu uma mistura de denudado com desnudo. Deve ser deste calor, que torna a roupa demasiado pesada...
ResponderEliminarNo conjunto, os posts representam uma riquíssima memória da cidade do Porto.
ResponderEliminarUm abraço. Augusto
é quase inimaginável...
ResponderEliminarPara mim é uma rua de todos os dias. E nunca tinha reparado que estava assim tão má.
ResponderEliminarCaro Carlos,
ResponderEliminarParabéns pelo blog, apenas o conheço agora.
Partilho contigo esta dor de diariamente assistir a crimes arquitectónicos e paisagísticos. De um modo geral, atentados à moral, ao bom senso e à estética na nossa cidade, cujo potêncial arquitectonico é imenso. O aproveitamento dos edíficios do porto poderia trazer benefícios incalculáveis à cidade, mas parece que isso salta aos olhos de poucos. O que parece tão obvio...
Pode ser que isto mude agora com o novo Regime de Arrendamento Urbano. É possível que mude.
Fazes aqui um importante trabalho.
Farei um link para o teu blog.
abraço
no Porto até as ruínas são extraordinárias.
ResponderEliminarsaudações de um admirador de lisboa
Há uma beleza inusitada nestas ruinas.
ResponderEliminarImporta-se de criar fotografias com menos arte? é que ao visualizar as presentes ficamos a admirar esteticamente esta decadência..:)
Olá!!
ResponderEliminarPertenço a um grupo de artistas plásticos S.O.P.A. (http:\\sopa-sinergia.blogspot.com). E como estamos a precisar de uma sede, venho contactar-lhe a perguntar se sabe se acha que se pode alugar ou fazer alguma coisa com o edifício nomeadamente restaurá-lo.
Obrigado
traspare una forza, e una voce, da queste fotografie.
ResponderEliminarUn'anima.
Il passato che interrompe il presente.
Mi piacciono molto le foto che colgono solo i particolari. I particolari raccontano tutto.
saluti
F
oi
ResponderEliminarentrei neste blog ontem (por mero acaso) e (por mera coincidência) vim aqui parar hoje. prendi-me nas iomagens e pouco li porque como dizem uma imagem pode valer por mil palavras. é triste ver o porto, a cidade mais bela que conheci até hoje, degradar-se desta forma. mas não consigo deixar de achar encatador e por mais "velho" e "estragados" que estejam estes pedaços de ruínas não deixam de ter o seu encanto. porque também tu o vês e, por isso, quando fotografas pode até ser o degredo que procuras mas é beleza que encontras. faz sentido?
Tanta casa sem gente, tanta gente sem casa...
ResponderEliminarCom saudades do meu Porto encontrei este blog e é com os olhos cheios de lágrimas que vos agradeço em nome do meu bisavô Soares Correia (fundador d' Os Modestos) a memória desse teatro. A minha avó ficaria orgulhosa de saber que os portuenses ainda têm memória.
ResponderEliminarCaro Redordead: li agora este post e os comentários e reparei no seu. Não sei se continua a ter acesso a este, mas não pude deixar de lhe dizer que o meu pai fez teatro neste grupo. Cumprimentos.
EliminarDas Ruas da minha terra: edifício da Associação Portuense de Socorros Mútuos das Classes Laboriosas, instituída e instalada no dia 25 de Março de 1856 e confirmada por alvará régio de 10 de Março de 1857. Neste prédio foi fundado o Grupo dos Modestos (Escola de formação de muitos actores de teatro portuenses) em 25 de Setembro de 1902
ResponderEliminarObrigado pela descrição da Instituição a que pertence o Grupo dos Modestos.
ResponderEliminarAndava intrigado com esta definição, encontrando agora o sentido das iniciais gravadas no ferro forjado da bandeira da porta do edificio.
Ao centro tem um escudo com a data no cimo e centrada 1856. Em letras maiores e ao centro pode ver-se um C e um L (Classes Laboriosas). Em baixo, centradas as letras ASM ( Associação Socorros Mutuos).
Seguramente que é uma dor de alma ver estes edificios em tamanha ruína, mas resta-nos a consolação de contribuir para que não morram na totalidade, pois sempre que os mencionamos, estamos a recuperá-los.
Antonio
Convido-o a programar uma visita pela mesma rua, para ver as novidades
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