1.4.21
MrDheo
No meio de tantas belas obras de arte urbana recentes feitas na cidade do Porto, esta - a minha - foi a única a não ser divulgada ou partilhada por qualquer meio oficial da cidade. Não mereceu a lealdade devida, talvez por estar exposta justamente na zona muy nobre da velha Invicta.
No entanto, e contrariamente ao que seria lógico, esta não reação é a melhor reação de todas. É o silêncio a dizer tudo sobre o meu trabalho, e isso, por vezes, sabe melhor do que o mais rasgado elogio dito em voz alta.
Faço graffiti porque sou livre. Faço-o porque tenho muita coisa que quero dizer. Pinto para todos, não pinto para os ricos. Sou criativo, não sou papel de parede. Artista, não decorador.
Obrigado Porto.
Um abraço,
MrDheo
Daqui: https://www.facebook.com/MisterDheo/posts/298044488348063
31.1.21
Ameaça sobre o último estaleiro naval do Douro
O estaleiro de reparação naval, acima, é um dos raros espaços genuínos das frentes ribeirinhas do Porto e de Gaia. Quase tudo o mais foi submetido ao conceito de centro comercial ao ar livre. O texto seguinte é um alerta do cidadão João Manuel Costa contra a ameaça que paira sobre esta unidade industrial tradicional.
«O IMPENSÁVEL ACONTECEU: depois de uma saga de tentativas frustadas da APDL [Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, Sociedade Anónima] de retirar o Estaleiro do Barco Rabelo do Rio Douro, junto à rotunda do Cais de Gaia, alegando falta de pagamento das rendas mensais, o que é mentira (essas rendas têm sido devidamente depositadas em conta criada para o efeito, trata-se de uma empresa saudável), o dono do estaleiro, António Sousa, bisneto do fundador, foi notificado em finais de janeiro 2021, pelo presidente da administração da APDL, Nuno Araújo, que tem 15 dias para desmantelar todo o estaleiro, retirar todos os pertences, barcos incluídos, estejam ou não em condições de navegar e abandonar o local. Tem lá barcos que pesam toneladas, mas pelos vistos deve ser fácil retirá-los, talvez de helicóptero... Esta situação é no mínimo estranha pois parece basear-se na necessidade de arranjar uma rampa de cimento para o futuro acesso ao bus fluvial que transportará passageiros desde e para Crestuma (?). Ou seja: destrói-se uma empresa não só industrial como eminentemente cultural e centenária para lá colocar uma rampa onde atracará um barco modernaço, dizem que será anfíbio (folclore pra estragar mais as margens?) !!!... como se não houvesse outra localização possível para isso... Ora, acontece que este estaleiro é único no mundo e insubstituível, pois utiliza técnicas de reparação e construção 100% originais e manuais, apuradas durante pelo menos quatro gerações da mesma família, feitas por raros operários especializados em carpintaria naval e calafate que ficarão no desemprego. É uma Arte. Mais ninguém tem conhecimentos para reparar e construir este tipo de barcos que são um dos grandes cartões de visitas das duas cidades - Gaia e Porto. Um ex-líbris! Assim, brevemente, assistiremos à paragem de navegação destes barcos por falta de assistência; deixarão também de ser construídos...seguidamente, o negócio de passeios turísticos das pontes acabará, milhares de euros voarão diariamente e os milhares do investimento inicial também. Por uma rampa de cimento??? Algo não bate certo, não se entende mesmo. O que se entenderia com facilidade era que a APDL, em articulação com a CMG [Câmara Municipal de Gaia], apoiasse uma pequena qualificação do espaço, nomeadamente com a construção de instalações dignas para um pequeno escritório e dos trabalhadores; algo tipo casa pré fabricada em madeira para se integrar no contexto histórico sem grande impacto. Isto é algo que nunca foi feito por falta de autorização da APDL (saberão que estamos na Europa civilizada?). Total falta de cultura, falta de visão de investimento, desprezo pelas tradições e história do Douro. Só ignorância ou algo mais? Esqueceu-se a APDL que este estaleiro é uma das âncoras do projeto para a candidatura da CMG da zona histórica de Gaia a Património Material da Humanidade? Esqueceu-se que este estaleiro foi também convidado para outro projeto de candidatura do Barco Rabelo a Património da Humanidade, organizado pela mão da CM do Peso da Régua e pela Confraria dos Vinhos do Douro? Gostaria de saber como a APDL justifica semelhante disparate e A MEIO DE UMA PANDEMIA!!! Surreal... se ficaste chocado, partilha pf, isto é muito grave.»
Texto original aqui: https://www.facebook.com/joao.manuelcosta.5/posts/10221492081205208 Ver também A Arquitectura do Rabelo.
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1.2.21
ESCLARECIMENTO DA APDL - Ocupação de Domínio Público Hídrico Na sequência das notícias que circulam, quer nos meios de comunicação social, quer nas redes sociais relativas à eventual vontade da Autoridade Portuária do Douro e Leixões acabar com o estaleiro de reparação de barcos cujo título de ocupação do domínio público hídrico foi atribuído à empresa Socrenaval, a APDL, vem esclarecer o seguinte: Em 1985, foi atribuído à "Socrenaval" um título de licença, que conferia à referida empresa o direito de uso privativo de um terreno, em Vila Nova de Gaia, com área de 927m2, destinado à exploração de um estaleiro de reparação naval, com duração de 1 ano, prorrogável por iguais períodos. Durante o ano 2000, a APDL informou o titular da licença, que a mesma não seria mais prorrogada terminando a sua vigência nesse ano por motivos de interesse público relacionados com a instalação do intercetor marginal de saneamento, alargamento e arranjo urbanístico da via marginal de Gaia, no âmbito do desenvolvimento do programa Polis, sendo que seria possível, nessa data, deslocalizar o estaleiro da Socrenaval para a área da Afurada, junto ao Porto de Pesca. Entre 2000 e 2015, a ocupação do espaço em questão esteve na alçada jurisdicional da GaiaPolis, por força do DL 330/2000, de 27 de dezembro, e do DL 70/2001, de 24 de fevereiro, o que conferia a esta entidade competências na área da sua intervenção. Mas tanto quanto sabemos, aquela entidade não chegou a emitir qualquer título que legitimasse a ocupação daquele que continuava a ser o domínio público hídrico. A partir do mencionado ano de 2015, o estaleiro em questão regressou à esfera de competências da APDL, sendo que nessa data, a Socrenaval já estava a ocupar mais do dobro do espaço (aproximadamente 2100 m²) que lhe estava atribuído pela licença anterior, caducada em 2000, situação que mantém até hoje. Salienta-se, pois, que a empresa em questão ocupa uma área superior – mais do dobro, repete-se - à que lhe estava inicialmente atribuída, sem qualquer título de licença que o legitime, e consequentemente sem a APDL receber qualquer quantia pela referida ocupação, ao contrário do que fazem todos os titulares de ocupações de domínio público atribuídos por esta autoridade portuária, numa atitude abusiva e de clara desigualdade relativamente a outros clientes da APDL. Mais, em 20 de outubro de 2020, a administração da APDL reuniu com o responsável pela Socrenaval, Senhor António Dixo de Sousa, numa tentativa de encontrar uma solução que viabilizasse a regularização da ocupação do Domínio Publico Hídrico, com a emissão de um título válido e pagamento das taxas correspondentes; solução esta que passaria inevitavelmente – porque a Lei assim o impõe – pela abertura de um procedimento em que a Socrenaval teria direito de preferência. A esta proposta que regularizaria a ocupação ilícita para posterior emissão de título de licença válido, com a área efetivamente ocupada e cobrança das taxas correspondentes, a empresa não se mostrou interessada, não tendo enviado qualquer manifestação de interesse, conforme havia sido sugerido. Nesta circunstância, a APDL pretende abrir um procedimento de iniciativa pública para que, em condições de igualdade, possam todos os interessados concorrer ao local em questão cumprindo as suas obrigações legais e contrapartidas financeiras respetivas. A APDL tem como objetivo, até pela vocação da empresa, contribuir para a manutenção da atividade de reparação de barcos rabelo e outros, mas sem favorecer operadores incumpridores em detrimento de quem cumpre a lei, com ocupações de Domínio Público devidamente licenciadas e que pagam as correspondentes taxas pela utilização de bens públicos. Não podemos deixar de salientar que no contexto pandémico que atravessamos, a APDL já tomou inúmeras medidas de apoio aos seus clientes, desde isenções de rendas, reduções de taxas a pagamentos de serviços que, na sua génese, estão cometidos aos seus concessionários. Fê-lo com o sentido de responsabilidade de uma empresa pública, a qual tem, também como atribuição, contribuir para o bem público e apoiar os seus clientes para além do objeto central da sua atividade mas isso não pode significar, nunca, tratar de forma desigual aqueles que com ela se relacionam. O Conselho de Administração Janeiro 2021
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1.2.21
ESCLARECIMENTO [da Câmara Municipal de V. N. Gaia] – estaleiro de barcos da empresa Socrenaval -
"O município de Gaia acompanhou com surpresa e preocupação as notícias públicas sobre a Socrenaval, instalada neste concelho. É certo que desconhecemos com profundidade o problema e não nos pronunciamos sobre a quem assiste a razão, por não sermos parte deste processo. Mas é igualmente certo que entendemos dever estabelecer-se um canal de comunicação que restabeleça a serenidade na abordagem e o melhor caminho para uma solução digna para ambas as partes. O município de Gaia conhece e aceita que todos os procedimentos administrativos e financeiros devam ser seguidos pela Socrenaval, de acordo com a lei e num tratamento igualitário. Mas a solução pode passar por um reforço do diálogo na busca da melhor solução. Assim, apesar de reconhecermos tratar-se de um dossier que está fora das nossas competências próprias, disponibilizamo-nos para assumirmos o papel de mediadores deste processo, visando restabelecer os canais de comunicação para uma rápida e justa resolução do problema. Não sendo parte do processo e, por isso, estando numa posição externa ao mesmo, podemos assumir a posição de mediador para uma solução equilibrada, justa e legal."
«O IMPENSÁVEL ACONTECEU: depois de uma saga de tentativas frustadas da APDL [Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, Sociedade Anónima] de retirar o Estaleiro do Barco Rabelo do Rio Douro, junto à rotunda do Cais de Gaia, alegando falta de pagamento das rendas mensais, o que é mentira (essas rendas têm sido devidamente depositadas em conta criada para o efeito, trata-se de uma empresa saudável), o dono do estaleiro, António Sousa, bisneto do fundador, foi notificado em finais de janeiro 2021, pelo presidente da administração da APDL, Nuno Araújo, que tem 15 dias para desmantelar todo o estaleiro, retirar todos os pertences, barcos incluídos, estejam ou não em condições de navegar e abandonar o local. Tem lá barcos que pesam toneladas, mas pelos vistos deve ser fácil retirá-los, talvez de helicóptero... Esta situação é no mínimo estranha pois parece basear-se na necessidade de arranjar uma rampa de cimento para o futuro acesso ao bus fluvial que transportará passageiros desde e para Crestuma (?). Ou seja: destrói-se uma empresa não só industrial como eminentemente cultural e centenária para lá colocar uma rampa onde atracará um barco modernaço, dizem que será anfíbio (folclore pra estragar mais as margens?) !!!... como se não houvesse outra localização possível para isso... Ora, acontece que este estaleiro é único no mundo e insubstituível, pois utiliza técnicas de reparação e construção 100% originais e manuais, apuradas durante pelo menos quatro gerações da mesma família, feitas por raros operários especializados em carpintaria naval e calafate que ficarão no desemprego. É uma Arte. Mais ninguém tem conhecimentos para reparar e construir este tipo de barcos que são um dos grandes cartões de visitas das duas cidades - Gaia e Porto. Um ex-líbris! Assim, brevemente, assistiremos à paragem de navegação destes barcos por falta de assistência; deixarão também de ser construídos...seguidamente, o negócio de passeios turísticos das pontes acabará, milhares de euros voarão diariamente e os milhares do investimento inicial também. Por uma rampa de cimento??? Algo não bate certo, não se entende mesmo. O que se entenderia com facilidade era que a APDL, em articulação com a CMG [Câmara Municipal de Gaia], apoiasse uma pequena qualificação do espaço, nomeadamente com a construção de instalações dignas para um pequeno escritório e dos trabalhadores; algo tipo casa pré fabricada em madeira para se integrar no contexto histórico sem grande impacto. Isto é algo que nunca foi feito por falta de autorização da APDL (saberão que estamos na Europa civilizada?). Total falta de cultura, falta de visão de investimento, desprezo pelas tradições e história do Douro. Só ignorância ou algo mais? Esqueceu-se a APDL que este estaleiro é uma das âncoras do projeto para a candidatura da CMG da zona histórica de Gaia a Património Material da Humanidade? Esqueceu-se que este estaleiro foi também convidado para outro projeto de candidatura do Barco Rabelo a Património da Humanidade, organizado pela mão da CM do Peso da Régua e pela Confraria dos Vinhos do Douro? Gostaria de saber como a APDL justifica semelhante disparate e A MEIO DE UMA PANDEMIA!!! Surreal... se ficaste chocado, partilha pf, isto é muito grave.»
Texto original aqui: https://www.facebook.com/joao.manuelcosta.5/posts/10221492081205208 Ver também A Arquitectura do Rabelo.
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1.2.21
ESCLARECIMENTO DA APDL - Ocupação de Domínio Público Hídrico Na sequência das notícias que circulam, quer nos meios de comunicação social, quer nas redes sociais relativas à eventual vontade da Autoridade Portuária do Douro e Leixões acabar com o estaleiro de reparação de barcos cujo título de ocupação do domínio público hídrico foi atribuído à empresa Socrenaval, a APDL, vem esclarecer o seguinte: Em 1985, foi atribuído à "Socrenaval" um título de licença, que conferia à referida empresa o direito de uso privativo de um terreno, em Vila Nova de Gaia, com área de 927m2, destinado à exploração de um estaleiro de reparação naval, com duração de 1 ano, prorrogável por iguais períodos. Durante o ano 2000, a APDL informou o titular da licença, que a mesma não seria mais prorrogada terminando a sua vigência nesse ano por motivos de interesse público relacionados com a instalação do intercetor marginal de saneamento, alargamento e arranjo urbanístico da via marginal de Gaia, no âmbito do desenvolvimento do programa Polis, sendo que seria possível, nessa data, deslocalizar o estaleiro da Socrenaval para a área da Afurada, junto ao Porto de Pesca. Entre 2000 e 2015, a ocupação do espaço em questão esteve na alçada jurisdicional da GaiaPolis, por força do DL 330/2000, de 27 de dezembro, e do DL 70/2001, de 24 de fevereiro, o que conferia a esta entidade competências na área da sua intervenção. Mas tanto quanto sabemos, aquela entidade não chegou a emitir qualquer título que legitimasse a ocupação daquele que continuava a ser o domínio público hídrico. A partir do mencionado ano de 2015, o estaleiro em questão regressou à esfera de competências da APDL, sendo que nessa data, a Socrenaval já estava a ocupar mais do dobro do espaço (aproximadamente 2100 m²) que lhe estava atribuído pela licença anterior, caducada em 2000, situação que mantém até hoje. Salienta-se, pois, que a empresa em questão ocupa uma área superior – mais do dobro, repete-se - à que lhe estava inicialmente atribuída, sem qualquer título de licença que o legitime, e consequentemente sem a APDL receber qualquer quantia pela referida ocupação, ao contrário do que fazem todos os titulares de ocupações de domínio público atribuídos por esta autoridade portuária, numa atitude abusiva e de clara desigualdade relativamente a outros clientes da APDL. Mais, em 20 de outubro de 2020, a administração da APDL reuniu com o responsável pela Socrenaval, Senhor António Dixo de Sousa, numa tentativa de encontrar uma solução que viabilizasse a regularização da ocupação do Domínio Publico Hídrico, com a emissão de um título válido e pagamento das taxas correspondentes; solução esta que passaria inevitavelmente – porque a Lei assim o impõe – pela abertura de um procedimento em que a Socrenaval teria direito de preferência. A esta proposta que regularizaria a ocupação ilícita para posterior emissão de título de licença válido, com a área efetivamente ocupada e cobrança das taxas correspondentes, a empresa não se mostrou interessada, não tendo enviado qualquer manifestação de interesse, conforme havia sido sugerido. Nesta circunstância, a APDL pretende abrir um procedimento de iniciativa pública para que, em condições de igualdade, possam todos os interessados concorrer ao local em questão cumprindo as suas obrigações legais e contrapartidas financeiras respetivas. A APDL tem como objetivo, até pela vocação da empresa, contribuir para a manutenção da atividade de reparação de barcos rabelo e outros, mas sem favorecer operadores incumpridores em detrimento de quem cumpre a lei, com ocupações de Domínio Público devidamente licenciadas e que pagam as correspondentes taxas pela utilização de bens públicos. Não podemos deixar de salientar que no contexto pandémico que atravessamos, a APDL já tomou inúmeras medidas de apoio aos seus clientes, desde isenções de rendas, reduções de taxas a pagamentos de serviços que, na sua génese, estão cometidos aos seus concessionários. Fê-lo com o sentido de responsabilidade de uma empresa pública, a qual tem, também como atribuição, contribuir para o bem público e apoiar os seus clientes para além do objeto central da sua atividade mas isso não pode significar, nunca, tratar de forma desigual aqueles que com ela se relacionam. O Conselho de Administração Janeiro 2021
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1.2.21
ESCLARECIMENTO [da Câmara Municipal de V. N. Gaia] – estaleiro de barcos da empresa Socrenaval -
"O município de Gaia acompanhou com surpresa e preocupação as notícias públicas sobre a Socrenaval, instalada neste concelho. É certo que desconhecemos com profundidade o problema e não nos pronunciamos sobre a quem assiste a razão, por não sermos parte deste processo. Mas é igualmente certo que entendemos dever estabelecer-se um canal de comunicação que restabeleça a serenidade na abordagem e o melhor caminho para uma solução digna para ambas as partes. O município de Gaia conhece e aceita que todos os procedimentos administrativos e financeiros devam ser seguidos pela Socrenaval, de acordo com a lei e num tratamento igualitário. Mas a solução pode passar por um reforço do diálogo na busca da melhor solução. Assim, apesar de reconhecermos tratar-se de um dossier que está fora das nossas competências próprias, disponibilizamo-nos para assumirmos o papel de mediadores deste processo, visando restabelecer os canais de comunicação para uma rápida e justa resolução do problema. Não sendo parte do processo e, por isso, estando numa posição externa ao mesmo, podemos assumir a posição de mediador para uma solução equilibrada, justa e legal."
26.7.20
Fundação Eugénio de Andrade?
Se EUGÉNIO DE ANDRADE adivinhasse o que viria a acontecer à fundação com o seu nome, criada em 1997 pela Câmara Municipal do Porto para albergar o poeta e o seu espólio, talvez não tivesse trocado o seu pequeno apartamento na Rua Duque de Palmela 111, pela casa do Passeio Alegre, frente à foz do rio Douro.
Morto Eugénio em 2005, o município extinguiu a fundação. O significado de espólio como "património sujeito ao saque dos mercenários", terá atingido então o sentido que lhe atribuiu Mário Cláudio, com os pertences do poeta espalhados por vários locais da cidade, da Biblioteca Pública Municipal do Porto à antiga fundação, dos Paços do Concelho a reservas municipais.
Como corolário do desprezo da autarquia pela memória do poeta, o domínio na internet da FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ANDRADE conduz-nos, pasme-se, ao que se pode observar acima e confirmado aqui:
https://fundacaoeugenioandrade.pt/
7.12.19
10.11.19
A passagem do tempo na fachada da Casa dos Maias *
Julho de 2008
Janeiro de 2010
Julho de 2011
Julho de 2012
Julho de 2013
Julho de 2014
Fevereiro de 2017
Abril de 2018
Outubro de 2019
* A Casa dos Maias, um palacete construído no século XVI que foi recentemente convertido em hotel, situa-se na Rua das Flores, paredes-meias com o Museu da Misericórdia do Porto.
15.10.19
13.10.19
Da rua Escura à rua do Souto
Da rua Escura à rua do Souto, aquela que foi «a mais longa artéria do velho burgo portuense em tempos medievais», num percurso no interior do bairro da Sé que, em quatro fotografias, nos revela a realidade do local: ruínas, lixo, abandono, marginalidade. Tudo no coração do Porto.
11.10.19
Oratório da Capela de S. Sebastião
Segundo consta numa informação junto à capela, esta «foi construída pela Ordem dos Agostinhos Descalços, sediados no Convento dos Grilos» cujas «armas figuram na fachada. Fazia parte de um conjunto de oratórios incluídos no percurso da procissão do Senhor dos Passos, que a Ordem organizou até 1832.»
Actualmente, como a imagem documenta, sendo este um cenário recorrente, só falta meter as viaturas automóveis lá dentro.
25.9.19
Ineficiência camarária
Em 2015 a Câmara do Porto anunciou a musealização do Rio da Vila, que irá tornar visitável a galeria por onde corre este curso de água sob a Rua de Mouzinho da Silveira. O prazo anunciado para a execução da obra foi ultrapassado no início de 2018. Entretanto, como os trabalhos não decorrem à superfície, a sua face visível é o estaleiro na Praça de Almeida Garrett, que há meses se apresenta no estado que a imagem documenta, sem que da parte da CMP haja alguém que a isto ponha cobro, como lhe compete.
17.5.19
Com o presidente da Câmara do Porto dono de uma imobiliária e o presidente da Assembleia Municipal gestor de fundos imobiliários, interrogo-me se devemos ou não esperar que a visão que o executivo camarário tem da cidade, seja diferente da do negócio imobiliário.
O texto que se segue e a fotografia que o ilustra, são da autoria de Jorge Ricardo Pinto*. Estão publicados aqui.
«O edifício representa, na verdade, um tempo, uma arquitectura e uma forma de fazer cidade e o seu desaparecimento empobrece a diversidade estilística e temporal do Porto, bem como reduz a dimensão pedagógica e a compreensão histórica da rua de Pinto Bessa".
Retirei este trecho de um livro que publiquei pela Junta de Freguesia do Bonfim, em 2011. Referia-me à ameaça de demolição que pairava sobre o edifício que então se localizava no 498 da rua de Pinto Bessa, no Porto, na posse da "Norma - Empresa Técnica Construtora". Era, no fundo, a crónica de uma morte anunciada.
A moradia havia sido erguida, em 1913, a pedido do Comendador Manuel de Miranda Castro, e foi desenhada pelo arquitecto portuense Francisco de Oliveira Ferreira, discípulo de Marques da Silva e Teixeira Lopes. Oliveira Ferreira foi o autor, entre outras obras, da icónica Clínica Sanatorial Heliantia e da Câmara Municipal de Gaia, para além de ter tido uma diversificada actividade cultural, entre a realização de exposições, trabalho arqueológico e de reconstituição histórica.
Soube hoje que a moradia, um exercício eclético entre a arte Nova e a influência da arquitetura tradicional portuguesa, com belos frisos de azulejos e um torreão, foi demolida há uns dias, depois de autorização camarária datada de Janeiro de 2019 para "Construção de Edifício destinado a Comércio e Habitação Coletiva (20 Fogos)". Coisa pequena, portanto...
Quero fazer notar, todavia, que este edifício integrou, em tempos, o PDM do Porto, na lista dos imóveis de interesse patrimonial.
Entretanto, surpreendentemente, a moradia foi retirada dessa listagem (já não surge na última versão do PDM), no que foi acompanhada por alguns outros imóveis no Bonfim, entretanto demolidos, como o "Bloco Residencial Manuel Duarte", do arquitecto Januário Godinho, na rua de Santos Pousada, apeado em 2006; ou o edifício multifuncional (residência, escritório, armazém, fábrica) requerido por João da Fonseca Carvalho, nos anos 30 do século passado, na Avenida Fernão de Magalhães, recentemente demolido para a construção de um hotel.
Um outro imóvel da mesma freguesia que também foi retirado da mesma lista foi a Quinta Amarela (ou dos Cepêdas), junto à Avenida dos Combatentes, nas Antas, para onde, aliás, a mesma empresa "Norma - Empresa Técnica Construtora" tinha projecto, assinado por Souto Moura. Coincidências.»
* Geógrafo, professor na UTAD.
14.5.19
A infeliz reconstrução do monumento a António Nobre
24.3.19
Horrores Urbanos à Moda do Porto
VII - Viaduto sobre a VCI
Se a Câmara do Porto autorizou construções debaixo da ponte (da Arrábida), porque não haveria de autorizar a edificação de um hospital privado encostado ao viaduto sobre a VCI, na Avenida de 25 de Abril? Ou será esta a primeira iniciativa da tão propagandeada requalificação urbana da freguesia de Campanhã? Se assim for, vale mais a quietude do actual abandono do que o inferno que se avizinha com este tipo de urbanismo selvagem.
A casa nº 2 da Rua de S. Miguel
A lei agora publicada que interdita a demolição de fachadas azulejadas e a remoção de azulejos das mesmas é bem vinda, mas para a casa da Rua de S. Miguel não vale de nada. Os azulejos que revestiam a fachada deste edifício classificado como imóvel de interesse público, desapareceram no final do ano passado.
Um residente da Rua de S. Miguel, afirmou-me que um dia, aí pelo mês de Novembro, chegaram uns operários, montaram uns andaimes, retiraram os azulejos para uma camioneta e abalaram. Mais disse que o prédio tinha sido vendido há dois anos, mas não soube indicar a quem. O edifício, que está na zona de protecção do Convento de S. Bento da Vitória e dos vestígios da Judiaria do Porto, está também «protegido» pela classificação da Zona História do Porto e Centro Histórico do Porto. Resta saber se no sinuoso labirinto do aparelho do Estado, haverá alguém que tenha tomado uma atitude em nosso nome, cidadãos contribuintes, de modo a que saibamos o que se passou e que possibilidades há de reavermos aquele património público.
Um residente da Rua de S. Miguel, afirmou-me que um dia, aí pelo mês de Novembro, chegaram uns operários, montaram uns andaimes, retiraram os azulejos para uma camioneta e abalaram. Mais disse que o prédio tinha sido vendido há dois anos, mas não soube indicar a quem. O edifício, que está na zona de protecção do Convento de S. Bento da Vitória e dos vestígios da Judiaria do Porto, está também «protegido» pela classificação da Zona História do Porto e Centro Histórico do Porto. Resta saber se no sinuoso labirinto do aparelho do Estado, haverá alguém que tenha tomado uma atitude em nosso nome, cidadãos contribuintes, de modo a que saibamos o que se passou e que possibilidades há de reavermos aquele património público.
25.10.18
A cidade sem automóveis
Da cidade estagnada, poluída, ruidosa, agressiva, à cidade humanizada, sem automóveis, pensada para as pessoas, onde o ruído de motores e de buzinas deu lugar ao chilrear dos pássaros e às vozes humanas. E onde se passou a respirar melhor, também. Aconteceu aqui bem perto, em PONTEVEDRA, mas poderia ser no PORTO. Imaginem a baixa sem carros num espaço compreendido entre o Carmo e S. Lázaro e da Ribeira à Trindade…
Para isso ser possível seria preciso vontade política, como é bom de ver, o que é incompatível com a visão festivaleira e mercantilista de quem gere o destino da nossa cidade como se o PORTO fosse um "shopping center". Nesse aspecto estamos longe, muito longe da cidade amigável de PONTEVEDRA.
A ler aqui.
9.7.17
Atenção senhores, abriu a época balnear na Praia das Pastoras!
Este ano, o prestimoso município portuense presenteou-nos, no começo da época balnear, com um belíssimo tapete de asfalto que permite estacionar automóveis numa zona de peões em sã convivência com bicicletas, cadeiras de rodas, carrinhos-de-bebé e gente apeada a passear à beira-mar. Se isto não servisse para mais nada, provaria que a demarcação de pistas para circulação de veículos de duas rodas ao longo da frente marítima do Porto, não passa de um capricho de alguém que não tem que fazer ao dinheiro.
Mas não é tudo. Os cidadãos podem ainda usufruir de duas grandes placas informativas desajustadas do local, dois inestéticos contentores-de-lixo (cenários que não quereríamos em nossa casa) e uns sanitários profusamente decorados, providos de um varandim donde se domina a praia. A avaliar pelo que observamos no local, estes sanitários devem ser um êxito. Para completar o cenário descrito, pendem, dos lampiões de iluminação pública, uns panos cor de sangue com apelos ao consumo de álcool.
Agradeçamos pois, aos pelouros do Ambiente e da Mobilidade do município, esta intervenção digna de qualquer cidade concorrente à localização da Agência Europeia do Medicamento, a que o Porto de propõe.
22.5.17
Lado a lado
Sim, é lado a lado que pode observar-se o contraste entre a loja que se esforça por vender conforto e a realidade exposta duas portas adiante, na rua de Júlio Dinis. Esta artéria, que foi próspera até um passado recente e hoje está quase sem moradores e com várias lojas devolutas, é um espelho do que se passa na zona da Boavista e um pouco por toda a cidade. A população continua a abandonar o Porto por não ter meios para fazer frente à sempre crescente especulação imobiliária, e alguns dos que ficam arrastam-se pelas ruas sem condições de subsistência. Basta estar atento para observar que, apesar da propaganda oficial, não há European Best Destination, ou melhor, não há circo que esconda a falta de pão.
23.4.17
19.4.17
Horrores urbanos à moda do Porto
VI - Rua General Sousa Dias
Houve um tempo em que o conceito de urbanismo passava por demolir, construir de novo e facilitar a circulação automóvel. Foi assim que aconteceram as demolições documentadas nas imagens, dando origem ao viaduto de Duque de Loulé. Quer dizer, cumpriu-se uma premissa, a do incentivo ao uso do automóvel, deixando a de refazer cidade para melhores dias. Isto foi há 52 anos, no coração do Porto. De então para cá, com tantas juras juradas de amor pela cidade e declarações de boas intenções, não houve um único responsável político municipal que acabasse de vez com este horror urbano, onde até as palmeiras, única nota de graça ali existente, desistiram de viver.
Houve um tempo em que o conceito de urbanismo passava por demolir, construir de novo e facilitar a circulação automóvel. Foi assim que aconteceram as demolições documentadas nas imagens, dando origem ao viaduto de Duque de Loulé. Quer dizer, cumpriu-se uma premissa, a do incentivo ao uso do automóvel, deixando a de refazer cidade para melhores dias. Isto foi há 52 anos, no coração do Porto. De então para cá, com tantas juras juradas de amor pela cidade e declarações de boas intenções, não houve um único responsável político municipal que acabasse de vez com este horror urbano, onde até as palmeiras, única nota de graça ali existente, desistiram de viver.
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- Carlos Romão
- Uma vida ao serviço da comunicação empresarial, como fotógrafo, videógrafo, designer gráfico e redactor publicitário.







































